Lollapalooza 2026
Neste sábado (21), A Pista Jornal foi ao segundo dia do tradicional festival Lollapalooza, realizado no Autódromo de Interlagos. Dois jornalistas culturais da equipe estavam presentes no evento com ingressos de cortesia da Corre, empresa de impacto social que conecta territórios, marcas e organizações. Nós assistimos aos shows dos grupos Febre90’s e Cypress Hill e registramos em formato de fotos e vídeos esse momento histórico do rap sendo celebrado em um espaço tão importante para a cultura e arte contemporâneos.
O Febre90’s é uma dupla formada pelo beatmaker paulista SonoTWS e pelo carioca pumaPJL. Como o nome deles indica, a sonoridade é baseada na estética noventista do boom-bap — estilo tradicional de produção do hip-hop nos anos 90. O grupo tem apenas 6 músicas no total e ainda não lançou nenhum disco, mas conseguiu se tornar uma febre (com perdão do trocadilho) no seu público sedento por um rap feito para quem é fã do gênero em seu formato mais tradicional. Nós fomos um dos primeiros a entrevistar o Febre na época de fundação do projeto, em 2021, e foi um grande privilégio poder assistir à ascensão deles. Leia aqui nossa conversa com SonoTWs e pumapjl.
O repertório do show tocou todas suas composições: “Malandro Demais Vira Bicho”, “Cartier Santos Dumont”, “No Piscar dos Olhos”, “Cheiro do Verde”, “Sementinha do Mal” e “Você Está Com Febre?”. Houve espaços para convidados, que tinham participações nas faixas: Leall, Lis Mc e Putodeparis (que apresentou uma nova música do Febre) estavam presentes.

A performance, que foi realizada no Palco Perry’s by Fiat às 15h30, também contou com as músicas dos projetos autorais (“Autodomínio” de 2023 e “Naturalidade” de 2020) de pumapjl como “Zona Sul”, “O Que É Meu Ninguém Tira”, “Aquelas Coisas” e “Ai Calica”.
SonoTWS e pumapjl, apesar do calor que fazia naquela tarde de São Paulo, vestiam, como de costume, suas balaclavas. O Mac Fly Mob, grupo de b-boys, que os acompanham desde o primeiro show, estava com o mesmo figurino. O break-dancing é um dos principais movimentos da cultura hip-hop e o resgate dos rap “das antigas” está relacionado a isso. A audiência presente parecia pertencer à geração Z e, no começo, estava um pouco devagar, mas, com o tempo, foi entrando em sintonia com o rolê. No final, os b-boys pularam no meio do público para abrir uma roda de bate-cabeça — da qual confesso ter participado — e terminar o rolê com uma nota altíssima.
Já o Cypress Hill é um grupo tradicional de rap, que pertence, de fato, aos anos 90. Seus principais álbuns são daquela década: “Cypress Hill” (1991), “Black Sunday” (1993) e “Cypress Hill III: Temples of Boom” (1995). O Cypress é da Califórnia e seus membros são predominantemente latinos. A formação atual continua a mesma do início (B-Real e Sean Dog no vocal, Eric Bobo na percussão), com exceção do DJ, que antes era o DJ Muggs e agora é o DJ Lord (ex-Public Enemy).
A banda, que se apresentou às 18h no Palco Samsung Galaxy, tocou vários hits de sua extensa discografia como: “How I Could Just Kill I Man”, “Insane In The Brain”, “Illusions”, “Lowrider”, “Hits From The Bong” e “Tequila Sunrise”.

A plateia, que parecia pertencer a uma geração millenial como o autor deste texto, embarcou na onda dos artistas desde o primeiro drop da batida. B-Real e Sen Dog agiram como verdadeiros mestres de cerimônia e conduziram toda a multidão presente. Eric Bobo, com sua percussão, e DJ Lord, com sua habilidade nos scratches e nos toca-discos, não deixaram as pessoas ficarem paradas nem um segundo.
A cada música, o círculo do bate-cabeça aumentava. Apesar do “caos” aparente desse costume presente em shows de rap, rock e metal, há uma ordem interna nele. Uma pessoa perdeu o relógio no meio da brincadeira e todos pararam até achar o dono. Até um dos vendedores de cerveja do festival entrou para a roda punk de forma voluntária e se divertiu bastante. A noite histórica terminou com um cover de “Bombtrack” da banda Rage Against the Machine, que levou todos à loucura.
O rap esteve bem representado nos palcos do Lollapalooza neste sábado, que também contou com outros nomes contemporâneos do gênero, como N.I.N.A e o DJ MU540. No domingo, Tyler The Creator se apresenta às 21h30 no Palco Budweiser, o principal do evento. Nossos votos, depois da experiência desse final de semana, são que o rap continue ganhando espaço. Ele fez por merecer, há demanda para os artistas e o público por mais visibilidade para esse estilo em grandes festivais como o Lolla.
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