Cinema

“Ditto: Conexões do Amor”: as ressonâncias que unem diferentes linhas do tempo

Ditto: Conexões do Amor

Com distribuição da SATO Company, chega ao Brasil a comédia romântica “Ditto: Conexões do Amor”, nova versão do clássico homônimo do cinema sul-coreano, com lançamento previsto para 26 de março de 2026. O terceiro longa-metragem de Seo Eun-young reúne nomes célebres dos k-dramas como Cho Yi-hyun (“All of Us Are Dead”) e Yeo Jin-goo (“Hotel Del Luna” e “Além do Mal”).

Na trama, dois estudantes universitários, Kim Yong (Yeo Jin-Goo) em 1999 e Kim Mu-nee (Cho Yi-Hyun) em 2022, durante um eclipse lunar, descobrem que podem se comunicar por meio de um rádio amador. À medida que buscam entender como isso é possível, os jovens passam a compartilhar sonhos, expectativas e histórias de amor, compreendendo que, apesar dos 20 anos que os separam, suas experiências surpreendentemente se refletem umas nas outras.

Enquanto o clássico cult de Kim Jung-kwon acompanha a amizade de uma estudante universitária em 1979 e um jovem no ano de 2000, a refilmagem de 2022 mantém os elementos-chave do longa original, acrescentando ao enredo não somente o avanço tecnológico como também questões marcantes que unem uma juventude de diferentes gerações.

Apesar da trama centrar-se em temas como romance e amizade, é possível traçar leves pinceladas sobre o contexto socioeconômico das respectivas décadas, como a falta de perspectiva de jovens diante tanto da crise econômica que assolou a Coreia do Sul entre 1997 e 1998, refletida no personagem de Yong, como também da atual insegurança financeira, refletida em Young-ji. Prestes a se formar, Yong, estudante de engenharia mecânica que negligencia o sonho de se tornar escritor, não sabe certamente o que responder ao ser questionado por calouros sobre o que os aguarda no mercado de trabalho de um país que se recupera da recessão econômica. Melhor amigo de Mu-nee, Young-ji prioriza trabalhar e ganhar dinheiro para arcar com empréstimos estudantis e outras despesas a se dedicar integralmente aos estudos de literatura coreana, considerando até mesmo desistir da faculdade.

Cena de "Ditto - Conexões do Amor" (Foto: Divulgação)
Cena de “Ditto: Conexões do Amor” (Foto: Divulgação)

Enquanto Mu-nee lida com a frustração de ver seu melhor amigo e paixão secreta gradualmente abrir mão do sonho dos dois de estudar na mesma universidade, Yong enxerga seus sonhos como um fardo, um empecilho na sua trajetória para se formar engenheiro. Ao negligenciar suas próprias ambições, Yong decide que seu sonho é se tornar alguém digno para namorar Han-sol (Kim Hye-yoon), caloura que escolheu o curso de engenharia depois de ver as consequências da crise na vida do pai. Tanto Mun-ee quanto Yong lidam com a quebra de expectativa diante de uma realidade, um mundo diferente do que lhes foi prometido.

Ainda assim, o longa eventualmente deixa algumas pontas soltas como a questão de Young-ji com a divisão entre trabalho e estudos, e mal explora a história dos pais de Mu-nee que é casualmente suscitada. Tudo isso é um mero pano de fundo para a amizade e o amadurecimento de ambos os protagonistas. 

Embora ainda não tenha assistido a versão de 2000, o que fica comigo dessa experiência é que “Ditto: Conexões do Amor” se limita a ser uma refilmagem leve e descontraída de cinematografia delicada, com toques de ficção científica e melodrama, presença de elementos culturais a efeito de nostalgia, atuações pontuais e química na medida entre Yi-hyun e Jin-goo. É o que o filme promete e consegue efetivamente entregar.

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