Música

“ARIRANG”: o amadurecimento musical do BTS

ARIRANG

Após um hiato de quase 4 anos, devido ao alistamento militar obrigatório dos membros e também a alguns projetos solos, o septeto BTS (Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook) lançou seu sexto álbum, “ARIRANG“, em 20 de março de 2026.

O disco leva o mesmo nome da canção folclórica mais famosa, símbolo da identidade cultural e resistência da península coreana. Sem tradução literal, a palavra evoca saudade, separação e desejo de reencontro.

As 14 faixas contam com grandes produtores como Diplo, Ryan Tedder (da banda One Republic), El Guincho, Mike WiLL Made-It, JPEGMAFIA e Kevin Parker (Tame Impala). E também conta com os próprios integrantes do grupo distribuídos nos créditos das composições. 

Capa de "Arirang", novo álbum do BTS (Foto: Divulgação)
Capa de “Arirang”, novo álbum do BTS (Foto: Divulgação)

Como ponto de partida temos “Body to Body”, com sintetizadores e rimas clamando por união, fazendo uma evolução da batida eletrônica para o ritmo de instrumentos tradicionais do cântico nacional, Arirang. Uma mescla de sua cultura com o som moderno e atual que eles chegam mostrando. 

“Hooligan” tem a batida chopped and screwed, mencionada nos versos melódicos do refrão, junto a sons metálicos e risadas, que me fizeram lembrar do saudoso Mr. Catra

“Aliens” traz uma letra afiada sobre xenofobia, exigindo respeito (“Se quer entrar na minha casa, tire os sapatos”). Também citam Kim Gu, líder do movimento de independência contra o Império Japonês e ativista da reunificação, evocando seu legado anticolonial

Passamos pela dançante jersey club, “FYA”, citando Britney Spears e botando fogo em tudo. Com o trap “2.0”, eles avisam que voltaram em um novo estilo.  

Ao trocar de música, temos o som do Sino Sagrado do Rei Seongdeok, nomeado 29º Tesouro Nacional da Coreia, por isso o nome “No.29”, reverberando ao longo de um minuto e trinta e oito segundos — como uma meditação preparando o ouvinte para a próxima metade do álbum.

Se esse início mostrou o BTS resgatando o som hip-hop do começo do grupo, agora seguimos para faixas mais pop.

Swim”, que ganhou videoclipe, é um synth-pop melancólico sobre um propósito de continuar seguindo em frente, mesmo com dificuldades. 

Merry Go Round” expõe as dores de se sentir preso no carrossel da vida adulta. Sentimentos como ansiedade, exaustão e culpa são embalados por um pop-rock.

Temos mais duas músicas na sequência nesse tom pop-rock alternativo e psicodélico: “Normal”, que segue a mesma linha vulnerável e franca sobre fama, e “Like Animals” — que começa com uivos que suplicam para que seu lado animalesco seja saciado. A composição termina com um solo de guitarra distorcido incrivelmente imersivo. 

Voltamos para o trap, agora menos agressivo, com “they don’t know ‘bout us”, em que eles aceitam que as pessoas vão tirar suas conclusões sem ao menos os conhecerem. 

“One More Night” combina disco soul, eletro-funk e synth-pop, com o desejo de mais uma noite. A faixa me remete a “Sensual Seduction” do Snoop Dogg. Com outra pop-trap, “Please”, implora por permanência. 

E, fechando o álbum, temos “Into The Sun”, com um refrão de vocais fortemente distorcidos por vocoder, um pop-folk psicodélico, que termina com a banda presente embalando um coro prometendo seguir em direção ao sol.

O ousado projeto “ARIRANG” mostra o amadurecimento da sonoridade do BTS, que, ao invés de seguir no caminho em que estavam, trouxe um trabalho experimental com sons atuais sem perder a própria identidade.

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