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“Andar na Pedra – A História do Raimundos” reconstrói a trajetória de icônica banda do rock nacional

Andar na Pedra – A História do Raimundos

Dividida em cinco episódios, a série documental “Andar na Pedra – A História do Raimundos” (2026) reconstrói a trajetória do Raimundos, uma das bandas mais importantes da história do rock nacional. A obra, que está disponível na Globoplay, conta com depoimentos exclusivos dos principais integrantes da formação original: Rodolfo Abrantes, Digão, Fred e Canisso.

Cada episódio, que tem uma hora em média e é dirigido por Daniel Ferro, aborda um período diferente do grupo de Brasília. Fundada em 1987 por amigos de infância (Digão, Rodolfo e Canisso), a banda misturava influências do punk rock — estilo em alta com a juventude na época — com a música nordestina escutada por seus pais, principalmente o sanfoneiro Zenilton, considerado o rei do duplo sentido. Rodolfo e Digão eram descendentes de migrantes nordestinos e definiam sua sonoridade como forró-core. Muitas das suas letras foram influenciadas por essa vertente, e o próprio nome deles denuncia isso: Raimundos é uma reinterpretação de Ramones, uma de suas maiores influências. A irreverência e a velocidade são elementos-chave para se entender a identidade do grupo.

O documentário perpassa a discografia dos Raimundos e detalha o processo criativo e o contexto por trás da criação deles: desde “Raimundos” (1994) até “Kavookavala” (2002), o primeiro álbum depois da saída do Rodolfo. O fã vai ter acesso aos bastidores de todos os grandes clássicos e, a partir de cada disco, conhecer um capítulo da história do grupo.

Os Raimundos (Foto: Divulgação)
Os Raimundos (Foto: Divulgação)

Andar na Pedra – A História do Raimundos” reúne depoimentos de todos os integrantes, mas, como não poderia deixar de ser, as falas de Rodolfo são as mais marcantes. Ele se converteu e deixou a banda após o álbum “Éramos 4”. Provavelmente o grupo não seria tão reconhecido se houvesse qualquer mudança na formação original, porém é inegável o quanto o Rodolfo personifica os Raimundos — seu carisma, seu senso de humor, suas esquisitices o tornam um dos principais frontman da história do rock nacional.

Rodolfo foi uma pessoa de excessos. O documentário deixa isso claro, seja por meio de suas próprias falas ou de outros membros do grupo. A narrativa construída pelo documentário mostra como ele estava prestes a explodir: o vício em drogas misturado ao estrelato e as intrigas dentro da própria banda estavam consumindo toda sua saúde mental e física. Ele encontrou uma saída para isso por meio da religião. O documentário mostra a versão de Rodolfo sobre essa questão, tentando entendê-la e não condená-la.

O documentário produzido pela Globoplay é um registro valioso sobre as condições que tornaram os Raimundos um projeto possível. O público conhece aquele megagrupo que começou como uma mera banda de garagem de amigos: os integrantes principais (Digão e Rodolfo) possuíam baixa autoestima por sua aparência e origem e encontraram seu lugar no mundo por meio do punk rock. Eles usaram as influências gringas para criar algo com o selo nacional. O Raimundos é um produto do seu tempo. Alguns dos entrevistados — jornalistas e críticos musicais — ajudam o espectador a entender o período: os anos 90 inauguram tempos mais cínicos, mais irônicos. Os Raimundos são pioneiros neste sentido. O documentário é uma cápsula do tempo em relação a outro período, nem pior e nem melhor, apenas diferente.

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