Música

Alexandre Cuba fala sobre seu processo criativo em “Cuba e Outras Ilhas” e trajetória na produção cultural

Alexandre Cuba criou a banda Cuba & Outras Ilhas em 2018. Ele é cantor, músico e compositor. O apelido de “Cuba” veio de uma brincadeira de seus amigos de trabalho, que o consideravam parecido com o ator norte-americano Cuba Gooding Jr. O nome acabou ficando e foi adotado para a sua persona artística. Cuba também é o nome de um país, uma ilha do Caribe, muito solar e alegre, apesar de seus problemas, e isso encaixa muito bem com a personalidade de Alexandre Cuba. Além de artista, Cuba também é o criador da Trinca Produtora, do podcast Arteculando, programa semanal vinculado à TV Alvarenga, do DRK Studio e do Palco Arteculando, um festival de artes integradas.

Alexandre Cuba
Alexandre Cuba

A sonoridade de sua banda Cuba e Outras Ilhas é uma mistura de pop rock com soul e funk. As referências da identidade do grupo não são apenas musicais, mas também literárias. O repertório dos shows incluiu releituras de músicas brasileiras consagradas e canções autorais escritas pelo próprio Cuba. A discografia atual do grupo contém quatro projetos lançados: “Nem Me Viu!” (2018), “Chuva de Inseto” (2020), “Intelectualidade Selvagem” (2022) e “Ao vivo no Estúdio Showlivre” (2022). As Ilhas de Cuba e Outras Ilhas na primeira formação eram compostas pelo guitarrista Lake Persaud, da Guiana Inglesa, e o baterista armênio Pedro Maprelian. Da formação inicial da banda, os dois que se mantêm são o Cuba (voz e violão) e o baixista Maurício Bob, músico influente da noite paulistana por seus trabalhos realizados com as bandas Maneva, 365, Reprise e Vanessa da Mata. As outras ilhas atuais do grupo são Rasta (bateria) e Gui Bordoni (guitarra).

A Pista entrevistou Alexandre Cuba e falou sobre sua história profissional, sua arte, referências musicais, produção cultural e muito mais. Leia abaixo a entrevista completa!

Entrevista – Alexandre Cuba

A PISTA: Você trabalhou por 25 anos no mundo corporativo antes de se aventurar por sua carreira solo de artista. Como ocorreu essa mudança de chave? Foi algo planejado?

CUBA: Eu escrevo desde meus 11 anos e, desde então, tenho uma relação muito próxima com a música e a arte, de um modo geral. Participando de antologia poética, tendo banda, compondo canções e musicando meus poemas. Quando fui mandado embora da Folha de S.Paulo em 2016, aproveitei a situação para me dedicar à música. Em alguma medida, sempre tive planos de viver de arte, mas precisei esperar o momento certo para mergulhar definitivamente nisso.

A PISTA: A sua banda Cuba e Outras Ilhas existe desde 2018. Poderia nos contar como ela surgiu? Você já tinha ideia da sonoridade que gostaria de construir antes de fundá-la? Como foi esse processo de definição da identidade do grupo?

CUBA: Quando saí da Folha, retomei o contato com um cantor que já havia feito alguns trabalhos de canções autorais e decidimos gravar algumas músicas. Eu fazia o violão, contribui nos arranjos e havia outros músicos que faziam a mesma coisa no mesmo trabalho. Ficamos fazendo isso por quase um ano. O curioso é que eu não conhecia pessoalmente os outros músicos, apenas as execuções por meio das gravações fonográficas na casa deste amigo cantor. O baixista Maurício Bob era o baixista deste projeto. Em 2018, pedi o contato do baixista e propus que ele gravasse algumas canções de minha autoria. Ele ficou encarregado de montar o time e eu pagaria para gravar 4 faixas e ponto. Algumas das faixas foram gravadas com esta mesma “fórmula”. Eu não conhecia o guitarrista e, até então, continuava sem conhecer pessoalmente o baixista. Eu ia até a zona norte de SP, gravava o violão, a voz e o Bob e o Lake Persaud, da Guiana Inglesa, ia no mesmo home studio e gravava seus instrumentos. Ao final da gravação das faixas, achamos interessantes e o Bob indicou para gravarmos na Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha com o baterista Pedro Maprelian. Daí nasce Cuba e Outras Ilhas. 

A PISTA: Sua banda possui um vasto repertório autoral, mas também toca vários covers e releituras de clássicos da música brasileira, como Itamar Assunção e Seu Jorge, em suas apresentações. Quais são as principais referências musicais da banda Cuba e Outras Ilhas? Quais artistas clássicos e contemporâneos vocês admiram?

CUBA: A banda atual é composta por novas Ilhas, cada ilha tem sua influência e esta é a essência do trabalho. Permitir que cada Ilha que chegue expresse sua sonoridade, baseada em suas influências, claro, e que dialogue com a proposta musical que apresento no violão, com as minhas criações melódicas e harmônicas. Mas sempre tem espaço para melhorias. Nisso, as Ilhas apresentam suas visões e fechamos uma construção coletiva. Eu ouvi desde Nelson Cavaquinho, Maria Bethânia, Cazuza e Luiz Melodia, passando por Doors, Led, Nile Rodgers, Tears For Fears, Simply Red, até Zé Ramalho, Belchior e Gilberto Gil. E cada Ilha tem suas influências…imagina o tamanho do arquipélago sonoro que extraímos deste rolê.

A PISTA: Além de artista, você também é produtor cultural. Como sua experiência na produção cultural dialoga com a sua carreira artística?

CUBA: Isso me ajuda muito, pois acabo tendo uma visão 360º do que preciso apresentar, fora do campo artístico propriamente dito. Como sou especializado em projetos, Governança de Tecnologia, procuro desenvolver as melhores condições do meu trabalho artístico e incorporar no meu trabalho musical com um toque de “negócio/produto/serviço”. O meu conhecimento em Sistemas de Informação, Comunicação Social com ênfase em propaganda e a graduação de Produção Cultural me suporta em diversas caixinhas estruturais de uma empresa. E é nisso que identifico meu diferencial.

Cuba e Outras Ilhas
Cuba e Outras Ilhas

A PISTA: Quais são os próximos passos da banda no futuro? Algum show ou lançamento que nós devemos aguardar ansiosamente?

CUBA: Estamos em um momento de ascensão, muitos ensaios, apresentações mensais em estabelecimentos públicos e privados. Em outras palavras, estamos construindo um mecanismo promissor de aquisição de massa crítica sobre o nosso trabalho. Vida de artista independente, porém com uma agenda estratégica e fortalecimento de marca, circulação e ampliação de persona e reputação por meio dos projetos paralelos advindos da Trinca Produtora, na qual sou o responsável, bem como o podcast Arteculando e suas derivações, como o palco Arteculando. Em breve faremos a gravação fonográfica das canções: “Ele é demais”, “Equilíbrio” e “Vale a pena?”. Todas de minha autoria e que certamente faremos lançamento nas plataformas digitais e captação audiovisual de alguma delas. Provavelmente “Ele é demais”.

A PISTA: Qual música de “Cuba e Outras Ilhas” você recomendaria para quem nunca ouviu algo da banda e gostaria de conhecê-la?

CUBA: A música “Caixas de Bombons”, do álbum “Chuva de Inseto”, com o feat de Hayssa Ribeiro, é um trabalho pop que sempre achei que deveria entrar em alguma novela (risos). Pode ser que isso ocorra um dia, em outra versão, com outro artista ou até mesmo a versão original. Como a letra e a canção não têm prazo de validade, pelo menos o que está sendo dito, acho que ela pode ser consumida a qualquer momento. A música “Espírito” também me agrada, mas é muito lado B, para quem gosta de lado B. Agora as canções que estão por vir são bem interessantes. Tem a “Voodoo” versão estúdio, também, que é bem bacana. Todas estão no Spotify.

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Apoiadores: Veridiana Almeida, Alex Vitor e Karen Marujo.

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