

C6 Fest é um festival relativamente novo que, a cada ano, ocupa ainda mais espaço e público no Parque Ibirapuera. A primeira e última vez que eu havia ido ao evento foi em 2023 para ver Arlo Parks e Christine and The Queens. Já neste sábado (23/05), o tamanho do público parecia o triplo comparado a três anos atrás, com mais atrações ou atrações com um público mais devoto.
Wolf Alice estreou nas terras brasileiras de uma forma muito positiva e nostálgica para quem acompanha a banda desde a época em que o Tumblr era uma rede social popular entre nós, weird girls. Eles lançaram seu primeiro álbum de estúdio em 2015, intitulado “My Love Is Cool”, porém, antes disso, já haviam soltado três EPs: um em 2010 (autointitulado), um em 2013 (“Blush”) e um em 2014 (“Creature Songs”).
O show não deixou de tocar as mais famosas do comecinho da discografia, como “Bros”, “Don’t Delete The Kisses” e “Formidable Cool”. Contudo, a grande estrela do setlist foi o álbum mais recente, “The Clearing” (2025): “Boom Baby Bloom”, “The Sofa”, “Just Two Girls”, “Leaning Against The Wall” e “White Horses”, sendo a última uma reflexão sobre identidade, como pessoa racializada que não sabe exatamente suas origens, e ter que responder perguntas desconfortáveis de alguém querendo saber sua etnia. E, de forma sutil, constrói uma crítica à colonização britânica.
Com sua pegada ainda indie e pop-punk, o álbum “Blue Weekend” (2021) não pôde ficar de fora. “Play Greatest Hits” foi um ponto alto do show, e faltou um mosh pit (as famosas rodas) para as pessoas dançarem entre si. A vocalista Ellie Rowsell se desculpou por não terem vindo antes ao Brasil e disse que elas esperam retornar em breve.
E, depois de um show animado e cheio de moshs do BaianaSystem, acalorando todos em meio à lama e garoa, veio o reencontro do The XX, ou, como a plateia estava chamando carinhosamente, o xis.
Após nove anos sem vir ao país, eles abriram o show com a que todos os indie heads não poderiam não conhecer: “Crystalised”, do primeiro álbum, que, inclusive, foi o mais tocado da noite. “Shelter”, “Infinity”, “VCR”, “Islands”, todas do “xx” (2009), fizeram o público cantar e dançar.
Diferente de Wolf Alice, que tocou na Tenda Metlife, The XX estava na Arena Heineken, e o som ali estava baixo. Apesar do som não muito nítido na maioria das músicas, Romy, Oliver e Jaime seguiram o fluxo. Romy interagiu um pouco com o público, agradecendo sua presença.
O “Coexist”, disco de 2012, não foi esquecido, apesar de terem tocado apenas três músicas dele: “Angels”, “Fiction” e “Sunset”. E a galera ainda estava animada, mesmo quando o trio tocou as músicas solos de cada um, como “Enjoy Your Life”, da Romy, outro ponto alto da noite.
Quando o show acabou, o público relutantemente foi embora, tendo esperanças de que voltariam para tocar mais uma. Ficou com um gostinho de quero mais. Afinal, após tanto tempo sem pisar no Brasil, pareceu ainda muito pouco.
O C6 Fest 2026 foi uma das edições do festival que mais contemplaram a Era Tumblr, tendo em vista que no domingo (24/05) ainda toca Lykke Li, outra figura importante ao indie pop mais introspectivo e melancólico — porém sempre dançante.
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