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#Balanço2020: projetos musicais subestimados

Ano coincidiu com o lançamento de ótimos trabalhos feitos por artistas nacionais

O músico Mateus Aleluia (foto) lançou o disco solo “Olorum”, aos 78 anos, em 2020 (Foto: Vinicius Xavier/ Divulgação)

2020 foi um ano atípico para os músicos e a indústria musical em geral. A pandemia do novo coronavírus fez diversos festivais importantes serem adiados ou até cancelados e artistas perderam uma das suas principais fontes de renda. Apesar disso, o período parece ter sido um terreno bastante fértil para a criação. Diversos projetos de qualidade foram gestados e lançados neste ano. Selecionamos alguns desses trabalhos que podem ter passado por fora do radar do público mainstream.

Mateus Aleluia — “Olorum”

Mateus Aleluia é um remanescente do grupo icônico Os Tincoãs, de música popular brasileira, que marcou época entre os anos 60 e 70.

Olorum” é o terceiro álbum solo de Aleluia, que completou 76 anos em 2020. O projeto é composto por 12 faixas inteiramente compostas pelo músico baiano. O artista reverencia toda a tradição histórica, religiosa e musical do continente africano e sua importância neste disco riquíssimo. A musicalidade alterna organicamente entre uma atmosfera de celebração e de oração.

Faixas recomendadas: “Olorum”, “Canta Sabiá” e “Samba-Oração”.

Zé Manoel — “Do Meu Coração Nu”

Zé Manoel, entrevistado pela Pista este ano (leia aqui), lançou em 2020 seu primeiro projeto autoral intitulado “Do Meu Coração Nu”. Seu estilo é difícil de definir, característica dos grandes músicos, mas pode se afirmar que ele bebe da riqueza histórica da música popular brasileira. Suas composições também se inspiram em histórias propriamente brasileiras: compostas de uma mistura de influências e referências à ancestralidade e musicalidade africana.

Faixas recomendadas: “No Rio das Lembranças”, “Canto Pra Subir” e “Adupé Obalauê”.

Mateus Fazeno Rock — “Rolê Nas Ruínas”

Rolê nas Ruínas” é o primeiro disco de Mateus Fazeno Rock, artista de Fortaleza. As inspirações do músico são extremamente variadas e vão desde Nirvana até Djavan. Seu projeto é um sopro de ar fresco na cena do rock nacional, possui diversas texturas e cria algo caracteristicamente brasileiro e único.

Faixas recomendadas: “As Vozes da Cabeça”, “Melô do Djavan” e “Missa Negra”.

Makalister — “Barka EP”

Makalister, figura carimbada no rap underground, o MC catarinense está de volta com o lançamento do EP “Barka”. As letras, como de costume, são cheias de referências sobre cinema e os percalços vividos no cotidiano pelo artista natural de São José, região metropolitana de Florianópolis. O projeto também conta com a participação de Beli Remour e Matéria Prima, seus colaboradores de longa data.

Faixas recomendadas: “Cartas Que Deixo Para o Vento”, “Chantal” e “Tema dos Meus Sonhos”.

yung vegan — “BABAGANUSH”

Primeiro EP do carioca yung vegan. O artista constrói seus versos nada tradicionais que misturam críticas políticas à sua vivência de rua e referências à cineastas consagrados como Godard e Almodóvar em cima de instrumentais lofi – a maioria produzida pelo beatmaker vinicreizi.

Faixas recomendadas: “Sevdaliza, “Tarot” e “Sonho”.

Dro — “Meu Coração é meu Veleiro e Meu Guia”

Meu Coração é meu Veleiro e Meu Guia” é o segundo EP do rapper e produtor paulista Dro. Em entrevista concedida em outubro para a Pista (leia aqui), ele nos contou tudo e mais um pouco sobre seu processo criativo e sua história de vida. A música do Dro parece ter sido feita pra se ouvir no fone indo ou voltando pro trampo ou rolê, flutuando na cidade cinza. É uma viagem íntima de descoberta pessoal através da mente do artista e seus problemas que se assemelham aos de pessoas comuns como eu ou você.

Faixas recomendadas: “Como Se Fosse um Filme”, “Se Eu Soubesse Cantar” e “Feito Jimi”.

Tarcis — “CyberYorubá 10062”

Tarcis, natural do Rio de Janeiro, é integrante do Covil da Bruxa — uma das bancas que mais cresce na cena atual por sua originalidade tanto na parte visual quanto na sonora. No EP “CyberYorubá 10062”, o rapper se serve da influência do drill – sub-gênero do rap como o grime — aliado de uma estética afrofuturista e a reverência aos orixás para construir sua identidade.

Faixas recomendas: “Corpo Fechado”, “Erê” e “MVP”.

Bônus:

nabru — “Heartbeat”

Ramonzin — “Arteiro”

Iza Sabino — “Glória”

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