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Novo single: Maloka Loko lança “Inato”

Em entrevista exclusiva, o rapper da zona oeste de São Paulo fala sobre sua carreira, inspirações e sobre o single "Inato", seu novo lançamento.

Originário da Zona Oeste de São Paulo – assim como importantes nomes do rap nacional, como RZO e DBS e a Quadrilha – o rapper Maloka Loko vem consolidando seu nome na cena de forma contundente e verdadeira por meio dos seus álbuns e singles. O MC tem sua origem no funk (assim como relatou na música “Histórico”), mas desde 2015 optou pelo rap, gênero do qual faz parte até hoje.

Com letras expressivas e verdadeiras, o rapper procura transpor em suas músicas uma realidade bastante pessoal, mas passiveis de identificação. As músicas refletem essencialmente toda sua revolta, relatam acontecimentos de sua quebrada e glorificam as conquistas de seus iguais como forma de empoderamento e resistência frete ao sistema opressor. Os beats vão do clássico boom-bap ao moderno trap – estilo do qual sobressai seu flow característico do funk.

Em entrevista par’A Pista Maloka conversa sobre suas inspirações, sua trajetória e sobre seu mais novo single, chamado “Inato”. Confira a entrevista na integra abaixo:

Entrevista sobre o single “Inato” e a jornada do rapper

A Pista: Quem é o Maloka Loko?

Maloka: É um cara completamente diferente do Luan, tá ligado? Se pá é um cara que veio pra me salvar na real. Eu falo em uma música chamada “Personalidades” que eu tenho dois jeitos: o Luan e o Maloka, certo?

O Maloka Loko é aquele cara que vê o problema e dá o “foda-se” pro problema; já o Luan é mais preocupado, um cara que é mais centrado e que respeita mais, tá ligado? Parece que quando ele incorpora em mim é quando dá vontade de xingar e fazer o bagulho, tá ligado? Pensando em coisas, tipo assim: “mano, você tá aqui, mas amanhã você pode não ser ninguém, então você tem que viver do seu jeito”. O Maloka que me deixa ser quem eu sou e ser quem eu quero, tá ligado?

A Pista: Qual a principal diferença desse lançamento para os demais trabalhos que você já produziu?

Maloka: Esse single, na real, eu queria fazer um desabafo pra mim mesmo, tá ligado? Sabe quando você se cobra tanto que chega a não suportar o bagulho? Você se pergunta: “Será que eu sou bom?” Esse single, na real, mano, me fez pensar…eu tava morando em outra casa, mudei recentemente, tá ligado? E tudo foi acontecendo de uma vez só na minha vida. E eu não sou do tipo que desabafa com alguém, por exemplo, meu rap é meu diário, então eu peguei e coloquei tudo no som, tudo o que eu tava sentindo, de peito eu caí nele.

Esse single talvez é o som mais real que eu já fiz na minha vida, tá ligado? Essa questão de colocar minha filha, de colocar Deus e o que eu tava passando e sentindo; e ao mesmo tempo achar saída pra isso depois de escutar o que eu escrevi. Acho que é o mais real de mim mano.

Foto de capa do lançamento do single "Inato".
Capa do single “Inato”

A Pista: Nesse single você citou uma frase do Legião Urbana no refrão e outras frases de artistas da MPB em outros projetos. Qual a influência do gênero nas suas composições?

Maloka: Que bom que você reparou isso, mano! Eu cresci em um berço em que a gente só escutava música antiga, desde Caetano à Cassia Eller, tá ligado? Eles cantavam o que eu queria cantar, sabe? Soltavam o que tinham dentro. Eu não sei se você tá ligado, mas a semelhança que o Renato Russo tem com o Cazuza é muito parecida, eles eram muito rebeldes no que eles escreviam, tá ligado? E ao mesmo tempo muito real, mano, é um bagulho que eles transmitiam pra fora, soltavam o que queriam, diziam tipo: “pronto é isso aqui”.

Foi muito constante na minha vida por causa disso, mano, pela sinceridade. Você sente e entende o que o cara quer passar, e é isso que eu procuro fazer, sou o seguimento disso, desses caras, dessa escola.

A Pista: Você costuma mencionar bastante sua filha nas letras. Como ela te inspira tanto nas composições quanto na vida?

Maloka: Minha filha é tipo uma luz, mano, minha filha é autista, tá ligado? Ela tinha que ser pra mim, ela veio pra mim. E onde eu vou eu falo dela, se pá ela é mais esperta que eu, ela é tipo um anjo mesmo. Eu sou muito presente e ela é muito presente na minha vida também, a gente se sente, é tipo uma conexão no bagulho, tá ligado, parça?

A conexão que eu tenho com a minha filha não foi igual a que eu tive com meu pai, tem até uma música que o BK fala sobre isso: que o pai dele talvez não viu a coisa mais inteligente que ele fez. Mas eu vi, mano, eu vi o poder do amor, eu senti o amor através da minha filha, mano, tá ligado?

As vezes a gente acha que ama e que sente, até ter um amor tão grande e maior sobre um ser, é muita pureza, tá ligado? Não tem como eu não falar dela, acho que isso pode até ajudar outras pessoas que sofrem do mesmo problema que minha filha tem. Na verdade, o autismo nem é um problema, mas é uma coisa que você tem que ser mais delicado, você tem que cuidar mais, tá ligado? E eu quero muito passar isso adiante, mano, pra onde eu vou eu vou levar isso.

A Pista: Fala um pouco da sua origem no funk. O gênero ainda faz parte da sua essencial como MC?

Maloka: Mesmo se eu quisesse me distanciar e sair disso, não ia ter como, não ia sair de mim, tá ligado? Eu comecei a cantar funk ainda adolescente, quando a gente tem aquela visão de “aborrescência” na real, que você quer ser o que você não pode ser, tá ligado? Você vê os caras fazendo e você quer fazer também.

Na época eu cantava o funk proibido, falava de tudo que eu via e ouvia dizer ao meu redor. O 21 era pesado essa época, mano, você via uns bagulho cabuloso, e você tinha que só ver, ai eu passei a fala disso nos sons. Depois veio o funk ostentação, comecei a cantar também. Mas na época eu já via que era um bagulho de momento, tá ligado?

Eu dei uma parada, fiquei muito tempo sem cantar, mas depois que eu ouvi Síntese (eu gosto muito de falar disso), depois que eu ouvi a música “Se Escute” eu comecei a fazer rap, tá ligado? Eu já rabiscava uns bagulho, umas rima e tal, por que eu nunca parei de escrever, mas depois que eu vi a sinceridade que eles passavam naquilo…e meio que volta na questão do Cazuza e do Renato: é a mesma linhagem, é o que eu gosto de ouvir, o que eu trouxe pra mim, parça.

Lyric video oficial de “Inato”

A Pista: Se pudéssemos sintetizar o single qual seria a principal mensagem de “Inato”?

Maloka: Que pra tudo tem uma saída, que existe um bagulho maior, tá ligado? Que existe um ser superior te comandando, meio que falando: “Você tem que passar por isso aqui, pra depois você chegar ali”. O processo primeiro depois o propósito, tá ligado? Você tem que passar por isso pra depois agarrar aquilo que você tanto queria mano.

É um bagulho que me alivia escutar esse som, por que eu escrevi uns meses atrás, e quando eu escuto eu vejo que eu não mais passando por aquilo. Eu consigo ver que é questão de momento, tá ligado? Talvez até uma forma de te deixar tranquilo e em paz, mano, não se julgar e não se sentir mal com as coisas.

A Pista: Qual a principal mensagem que você gostaria de deixar aqui nessa entrevista?

Maloka: Seja você mesmo, faça você mesmo e crie você mesmo. Eu também não sabia fazer nada disso do que eu fazendo agora, tá ligado? E de querer fazer, de querer ser eu mesmo, as coisas foram dando certo na minha vida jão. Então a principal mensagem é essa: Faça você mesmo. “Só estou sendo eu”, já era.

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