Sem categoria

Entrevista: Michelle Henriques — Leia Mulheres

Conheça mais sobre o Leia Mulheres — clube de leitura de obras produzidas por mulheres

Leia Mulheres

O Leia Mulheres foi criado por três amigas: Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques. O projeto é um clube de leitura de obras produzidas por mulheres.

A primeira reunião presencial do Leia aconteceu em São Paulo no ano de 2015. Para participar é muito simples, basta você ler o livro escolhido e comparecer ao local em que a discussão foi marcada.

Existem encontros mensais do Leia Mulheres espalhados pelo Brasil inteiro e você pode encontrar o clube mais perto da sua região por aqui. Homens também podem comparecer, mas as mediadoras do debate são sempre mulheres.

A Pista conversou com Michelle Henriques — uma das fundadoras do projeto — sobre a origem do Leia Mulheres, literatura brasileira, diversidade, Annie Ernaux e muito mais.

Leia a entrevista completa abaixo.

Entrevista com Michelle Henriques

A Pista: Como e quando surgiu o projeto Leia Mulheres?

Michelle Henriques: Para 2014 a escritora Joanna Walsh propôs o desafio #readwomen2014, que como diz o nome, consistia em ler mais mulheres ao longo do ano. A Juliana Gomes teve a ideia de transformar a hashtag em algo mais prático, e aí nasceu o clube de leitura. Ela chamou a Juliana Leuenroth para ser mediadora, e logo em seguida eu me juntei a elas. Nosso primeiro encontro aconteceu em março de 2015 e conversamos sobre o livro A redoma de vidro, da Sylvia Plath.

A Pista: Você tem uma experiência muito grande no mercado editorial e foi uma das criadoras do Leia. Como faz para incorporar este conhecimento nas atividades do dia-a-dia do Leia Mulheres?

Michelle Henriques: Uma coisa importante é que sempre tentamos escolher livros acessíveis para serem discutidos. Não escolhemos livros muito caros ou esgotados, tentamos dar espaço para editoras e autoras independentes e assim por diante.

A Pista: Como as pessoas podem participar dos clubes de leitura do Leia?

Michelle Henriques: Aqui em São Paulo basta ler o livro e aparecer nos encontros. Nós temos um instagram com todas as informações: www.instagram.com/leiamulheressp.

Michelle Henriques - uma das criadoras do Leia Mulheres

A Pista: De que forma vocês decidem qual autora será abordada em cada encontro do Leia Mulheres?

Michelle Henriques: A gente tenta sempre variar a editora, o país de origem e o estilo literário. Raramente repetimos alguma autora aqui em São Paulo, só Elena Ferrante, que é nossa queridinha.

A Pista: Assim como a literatura produzida por mulheres, a literatura brasileira muitas vezes também não é tão valorizada quanto deveria ser. Como é a relação do Leia com a literatura brasileira produzida por mulheres?

Michelle Henriques: Nós tentamos sempre divulgar em nosso instagram do projeto as mediadoras do Leia que são também escritoras. Além disso, compartilhamos o trabalho delas via stories, adotamos seus livros em nossos clubes e quando possível, escrevemos resenhas em nossos sites.

A Pista: O Leia Mulheres completa 8 anos de existência em 2023. Você percebe alguma diferença em relação a recepção da literatura produzida pelas mulheres no Brasil e no mundo desde a época em que o projeto foi inaugurado?

Michelle Henriques: Eu creio que sim. Quando começamos o projeto ainda tínhamos poucas editoras e livrarias dedicadas à publicação de livros escritos por mulheres. Hoje, felizmente, vemos vários espaços focados nelas. Notamos também uma maior quantidade de mulheres indicadas a prêmios literários, bem como mulheres participando de mesas, de eventos e palestras sobre literatura.

A Pista: A ganhadora do último Nobel de Literatura foi a autora francesa Annie Ernaux. Vocês até já abordaram uma obra dela em um dos encontros do Leia. O que achou desta vitória?

Michelle Henriques: Considerando que o Nobel existe desde 1901 e apenas 17 mulheres foram laureadas, a gente enxerga o quão problemático é o meio literário. Claro que ficamos muito felizes com a premiação da Annie Ernaux, ela também é uma de nossas preferidas. Esperamos que mais mulheres (não brancas, não europeias ou estadounidenses e etc) também ganhem nos próximos anos.

Redes sociais do Leia Mulheres:

Twitter

Facebook

Instagram

Siga A Pista nas redes sociais (FacebookTwitter e Instagram) fique por dentro das nossas matérias sobre cinema, literatura, música e sociedade!

Leia também:

“Hilda Hilst pede contato”: Uma ode lírica

Débora Tavares e a força da obra de Orwell

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: