Cinema

“Tigertail” e o conflito de gerações

Alan Yang lança seu primeiro filme como diretor na Netflix

“Tigertail” (2020) é uma produção original da Netflix e também é o primeiro filme dirigido por Alan Yang, mais conhecido por ser um dos criadores da série de comédia dramática “Master of None” (também da Netflix) e um dos roteiristas/produtores da aclamada sitcom “Parks and Recreation” (disponível na Prime Vídeo).

O senso de humor característico dos trabalhos anteriores de Alan Yang está ausente na sua estreia como cineasta. O traço pessoal presente em “Tigertail” é a experiência autobiográfica de Alan como filho de imigrantes taiwaneses que ele incorporou nos personagens de sua obra.

Cena de "Tigertail"
O pai Pin-Jui (Hong-Chi Lee) e a filha Angela (Christine Ko) durante uma cena de “Tigertail” (Foto: Netflix)

O longa acompanha de perto a vida de Pin-Jui (Hong-Chi Lee), imigrante de Taiwan, que vai para os Estados Unidos para tentar construir sua vida, dar uma condição financeira melhor à sua mãe e realizar o sonho americano prometido a muitas pessoas.  

Apesar disso, o grande tema de “Tigertail” parece ser mesmo a incomunicabilidade. Pin não conseguia se comunicar com sua avó durante a infância, nem com sua esposa e muito menos com sua filha Angela (Christine Ko) depois de se tornar adulto. A diferença de valores entre as gerações é outro fator que gera desconforto e mal-estar entre os personagens desse universo. Cada um deles tem uma visão diferente de como o outro deveria se portar ou expressar suas emoções, o que se torna uma fonte de conflito constante na trama.

Trailer oficial de “Tigertail”

O filme se estrutura a partir de flashbacks que alternam a situação atual do protagonista Pin-Jui — velho, divorciado, totalmente assimilado com a cultura norte-americana, pai de filhos adultos que possuem seus próprios problemas para resolver — e a passada (sua vida em Taiwan, quando ele trabalhava em empregos subalternos com sua mãe e principalmente seu romance juvenil com Yuan (Yo-Hsing Fang), a paixão de sua vida).

O ritmo estabelecido pelo diretor é interessante e por vezes o longa se assemelha a um episódio de origem de um personagem de uma série, área em que Alan se sente mais confortável. Em contrapartida, muitos episódios de “Master of None” (série criada pelo mesmo Alan Yang junto com Aziz Ansari) funcionam muito bem como pequenos filmes (principalmente a terceira temporada, a mais recente). Cada episódio de sua série na Netflix costuma ter meia-hora de duração de média e Yang parece conseguir articular melhor a relação entre seus personagens e seus respectivos arcos narrativos do que em um filme de 1h30 como “Tigertail”.

Alan Yang, no final do trabalho, força a mão em um final redentor e artificial pouco convincente que requer muita imaginação e boa vontade do espectador. Apesar da escolha interessante e extremamente pessoal da temática de seu primeiro filme, talvez o meio de expressão artístico ideal de Alan seja mesmo o das séries por enquanto.

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