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Shiva Baby e o Mal-Estar Moderno

O filme de estreia de Emma Seligman explora o conflito entre gerações e as possíveis consequências causadas nos Millennials

Shiva Baby (2020) é o primeiro longa-metragem da diretora e roteirista canadense, Emma Seligman. O filme teve sua exibição nos festivais de Toronto e South by Southwest e foi muito bem recebido, tanto pelo público quanto pela crítica. O longa é uma versão estendida do curta-metragem que a diretora desenvolveu em 2018, enquanto aluna de artes da Tisch School Of The Arts em Nova Iorque.

Na obra acompanhamos Danielle (Rachel Sennot), uma jovem que trabalha como sugar baby (espécie de acompanhante de homens mais velhos) de aplicativo. A personagem é levada a ir com seus pais a um shivá (cerimônia de luto judaica) de uma amiga distante da família. No evento, a personagem estará minada de antigos conhecidos de infância, fato que desencadeará uma série de situações que vão do cômico ao trágico.

O filme se sobressai ao tratar de situações sociais conflituosas entre gerações e a pressão psicológica infligida aos jovens—algo bastante recorrente entre os Millennials e também entre a Geração Z. Em Shiva Baby é possível enxergar como isso acontece de fato, por meio de comentários de caráter inofensivo, mas que na verdade, geram um grande impacto psicológico a quem está ouvindo.

A personagem principal não leva uma vida perfeita ou até mesmo promissora, seus pais desconhecem o que ela faz de fato e acreditam que ela trabalha de babá; o que ao olhar alheio também é algo problemático. Em contrapartida, Maya (Molly Gordon), sua amiga e também ex-namorada de infância, funciona como uma antagonista perfeita, visto que, irá ingressar na faculdade de direito e por esse motivo é vista como modelo ideal de sucesso entre as pessoas durante a cerimônia.

“É difícil escapar à impressão de que em geral as pessoas usam medidas falsas, de que buscam poder, sucesso e riqueza para si mesmas e admiram aqueles que os têm, subestimando os autênticos valores da vida.”

O Mal-Estar na Civilização, Sigmund Freud.

A problemática do filme se maximiza com a presença de Max (Danny Deferrari)—um de seus sugar daddyno evento, fato que gera ainda mais desconforto na protagonista e que é muito bem trabalhado com o auxilio da trilha sonora que, embora discreta, é muito bem utilizada na construção do suspense e das situações limite, ajudando a acentuar uma atmosfera de caos e claustrofobia na personagem. O humor é sutilmente dosado nos diálogos e na caricatura dos pais de Danielle, que são interpretados por Fred Melamed e Polly Draper.

Shiva Baby é um filme que sabe articular a dicotomia entre sexo e religião como alegorias ao pudico e ideal a ser seguido em contraposição a liberdade e a identidade pessoal. É ambientado em um único dia e praticamente em um único lugar, aspecto que a diretora se sobressai em técnica, mantendo o espectador envolvido pela constante dinâmica situacional.

No Brasil o filme teve exclusividade de lançamento pela plataforma do MUBI.

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